domingo, 23 de outubro de 2011

AS RELAÇÕES SOCIAIS NA ESCOLA: PROFESSOR, ALUNO E FAMÍLIA



Daiane Brandão de Oliveira*
Nina Maria Mello Sampaio**
Talyta Nathana da Costa Veras***

RESUMO


No processo ensino-aprendizagem, há inúmeras formas de aprender e ensinar com respeito, atenção e reciprocidade das partes. Mas na educação contemporânea, os obstáculos parecem ser mais visíveis e a dificuldade nesse processo é consequência de um desequilíbrio de poderes na sala de aula e da falta de educação no ambiente familiar. É inevitável o convívio professor-aluno-família, e cada um interfere de maneira importante na atuação do outro. É importante ressaltar que a família é o núcleo de formação do indivíduo, nela recebe-se valores e princípios que são essenciais na conduta do aluno em sala de aula. A relação social no ambiente escolar depende de direitos e deveres de todas as partes, e cabe a cada um saber até onde prevalece suas imposições. O professor que não respeita o aluno ou o aluno que não respeita o professor, não pode se achar no direito de agredi-lo verbal ou fisicamente, e com isso, acaba gerando um caos que está tornando a educação não mais a formação de cidadãos e sim em descontroles absurdos em salas de aulas. Esta relação social entre educador e educando, deve haver liberdades e limites de ambos, prevalecendo o respeito e a educação acima de tudo, afinal dentro de uma sala de aula todos estão aptos a ensinar e a aprender através de suas experiências. O objetivo é apresentar uma análise crítica e compreensiva sobre o comportamento e as transformações ocorridas dentro do espaço escolar.

Palavras-chave: ensino-aprendizagem, professor, aluno, família.

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* Acadêmica do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia Universidade Estadual do Piauí – UESPI – Campus Alexandre Alves de Oliveira.
** Acadêmica do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia da Universidade Estadual do Piauí – UESPI – Campus Alexandre Alves de Oliveira.
*** Acadêmica do curso de Licenciatura Plena em Pedagogia Universidade Estadual do Piauí – UESPI – Campus Alexandre Alves de Oliveira.

INTRODUÇÃO

Acreditamos que a educação constrói o seu papel fundamental que é o de formar valores, socializar e de trilhar um caminho pacífico e de conquistas para os seus educandos e educadores. Na escola, onde passamos grande parte da formação educacional, aprendemos ou deveríamos aprender a compartilhar conhecimentos, a dividir brinquedos ou brincadeiras, a pesquisar, a falar, a ouvir, a respeitar e compreender. Devemos considerar que o sistema do processo educacional está inserido dentro de um sistema maior, e que os problemas morais e éticos manifestados na família e dentro da escola enquanto instituição é na realidade reflexos do que está ocorrendo ao seu redor.

Quando se fala da relação social entre professor e aluno, logo lembramos da violência física e verbal que se tornou uma constante em nossas escolas, temos um lado onde todos são vítimas. O professor é vítima porque recebe xingamentos, agressões e muita ameaça. Alguns professores até abandonam a escola por receberem ameaças contra a própria família. Encontramos também danos ao patrimônio do professor, riscar carros, furar pneus, etc. Então, se fala que o clima escolar, hoje, é muito ruim. Encontramos também alunos que são xingados, desrespeitados, alunos que sofrem agressão verbal e outros que sofrem violência simbólica. Ouvimos comentários de alunos nos quais foi reforçada a sua baixa auto-estima: “sai da sala, você nunca vai aprender”, “você não vai ser nada”, “deixa a escola, você vai ser um carroceiro”, “nem pense em fazer vestibular um dia, você nunca vai entrar em uma universidade”, etc. Quem é o culpado? Na verdade todos são culpados e todos são vítimas. Estão em uma situação tão complicada que nem os professores conseguem ensinar direito e nem os alunos conseguem aprender. E assim fica muito difícil dá continuidade e pensar em uma qualidade de ensino.

Na família, se constroem os vínculos afetivos, psicológicos, morais, espirituais que serão base da vida de uma pessoa. Tudo o que é bom e mal começa na família e é dentro de casa que surge a cidadania. O pouco caso, a negligência e o abandono, somados à agressão verbal e a surra são os ingredientes para que não haja respeito. Professores culpam a família “desestruturada”, que não impõe limites nem se interessa pela educação. Os pais por sua vez, acusam a escola de negligente, quando não tacham o próprio filho de irresponsável. Nessa briga, nada saudável, a única vítima é o aluno. Escola e família têm os mesmos objetivos: fazer o aluno se desenvolver em todos os aspectos e ter sucesso na aprendizagem. A participação dos pais na educação dos filhos deve ser constante e consciente. A vida familiar e escolar se completam.


AS RELAÇÕES SOCIAIS NA ESCOLA: PROFESSOR, ALUNO E FAMÍLIA

O cotidiano da escola implica uma série de relações: professor/aluno, professor/pais, professor/professor, professor/diretor etc. Quando as coisas correm bem, não nos damos conta da complexidade envolvida nessas relações. Sempre ocorrem problemas no terreno das relações humanas. Conflitos, desencontros, choques de interesses, rivalidades, disputas estão freqüentemente presentes e nos vemos às voltas com situações que atrapalham o desenvolvimento do trabalho pedagógico. Para Weber, “Uma conduta plural, reciprocamente orientada, dotada de conteúdos significativos que descansam na probabilidade de que se agirá socialmente de um certo modo é denominada relação social.” ( 1900, p. 117).

A relação social consiste em uma conduta de várias pessoas agindo em benefício de um objetivo, na qual a reciprocidade é essencial para haver o sucesso. Uma boa relação social na escola é de fundamental importância para atingir seus principais objetivos. Trabalhando em conjunto, orientando-se uns aos outros e com uma meta específica, todos que dela fazem parte são capazes de mudar qualquer realidade, como também melhorar a educação.

O caráter recíproco da relação social não significa uma atuação do mesmo tipo por parte de cada um dos agentes envolvidos. Apenas quer dizer que uns e outros partilham a compreensão do sentido das ações, todos sabem do que se trata, mesmo que não haja correspondência. (WEBER, 1911, p. 108).

Ou seja, o professor pode está se esforçando para dá uma boa aula para a turma, porém alguns alunos ignoram com atitudes de desrespeito e bagunça, como também pode haver alunos totalmente interessados em aprender, mas o professor pode apresentar comportamentos de agressividade e falta de interesse para com a turma.

Em virtude dos muitos anos de uma educação meramente conteudista, a escola de hoje enfrenta o dilema de conjugar competência cognitiva com formação de valores éticos. Em sua essência, é tomar para si esse desafio atual e trabalhar o tema de valores, na intenção de procurar, tanto nas questões práticas do cotidiano quanto no confronto com a realidade social excludente, desenvolvendo o senso de respeito, justiça, solidariedade e responsabilidade social. Acredita-se que a aproximação da família com a escola seja pré-requisito indispensável nesse processo, posto que a formação de valores se origina e se consolida verdadeiramente na família. (ARAÚJO, 2009)

As escolas apresentam vários problemas. Há o problema da qualidade de ensino, da evasão, da repetência e do abandono (no sentido dos alunos que entram e saem da sala de aula, sem interesse). Da parte dos professores tem-se um ser humano com duplo sentimento. Por mais que tenha uma atitude crítica no que diz respeito ao salário e também as condições em sala de aula, os professores sempre tiveram uma mobilidade social. Por maior que seja o problema, a esperança de mudar o cenário educativo é sempre o maior alvo para a maioria dos educadores.

De um lado o professor precisa entrar em sala de aula preparado para um possível desinteresse da turma usando de certas maneiras que possam chamar a atenção para o conteúdo. Ele deve ser está aberto às indagações, curiosidades, às perguntas e até para os olhares inquietos daqueles tímidos e inibidos, que mesmo não perguntando, demonstram no olhar quando sentem dúvidas ou não conseguem compreender o assunto. Por outro lado, o aluno precisa ir para a escola consciente do motivo de estar lá, é preciso ser dedicado, interessado, prestar atenção e, principalmente, saber diferenciar a hora de brincar e a de estudar. (SOUSA, 2007)

No ambiente educacional, é preciso ter o esforço de todos que fazem parte, para se obter o sucesso. Inclusive da família, que mesmo não estando na escola em si, tem seu papel fundamental junto a ela. É na família onde se começa a verdadeira educação, nos costumes, na maneira de ver o próximo, no modo de ser e agir. O que ocorre dentro da escola é o reflexo do comportamento do aluno em casa. A falta de atenção dos familiares, casos de agressividade, de preconceito, de superioridade, até mesmo alcoolismo ou outras doenças no ambiente familiar, afeta consideravelmente o desempenho na educação. Daí vem a grande importância da parceria da família com a escola, é fundamental que ambas sigam os mesmos princípios e critérios, bem como a mesma direção em relação aos objetivos que desejam atingir. O ideal seria traçar as mesmas metas de forma simultânea, propiciando ao aluno uma segurança na aprendizagem de forma que venha criar cidadãos capazes de enfrentar as situações que surgem na sociedade. Criando uma harmonia nesses dois ramos essenciais na vida do aluno, dentro da sala ele terá atitudes admiráveis, e consequentemente perante a sociedade também.

O professor/educador, é uma das pessoas mais importantes na vida de qualquer indivíduo, é capaz de deixar marcas inesquecíveis na vida do seu aluno. Sejam elas boas ou más. O educador que é capaz de entender, compreender, e além de tudo aprender com o educando, tem dentro de si a verdadeira essência da educação. Mas a verdade é que a educação é uma constante busca, tanto do educador que precisa aprender sempre novos ou melhores métodos de ensino, quanto os educandos que precisam aprender e pesquisar sobre o que querem internalizar. Contudo, tem de haver uma troca, pois dentro de uma sala de aula todos são capazes de aprender e ensinar. O professor ensina com seus métodos, sua didática, ensina todo o seu conhecimento aprofundado naquilo que leciona, mas é capaz de aprender coisas novas a cada dia. O aluno que é atento no assunto, que está ali naturalmente para aprender, se torna um educador também na troca de suas experiências com o professor, fatos que ocorrem no dia-a-dia ligados ao assunto e até mesmo quando se aprofunda e se interessa mais naquilo que está sendo explicado. Na troca de idéias, de conhecimentos, todos são capazes no ambiente escolar. (MEIRELES, 2006)

O professor não pode ser o dono da verdade, nem tampouco autoritário com falsos moralismos. Não deve ter mais espaço para atitudes desse nível no processo de ensino-aprendizagem. Professores com atitudes arrogantes, superiores e discrimantes, deixam marcas e traumas ao aluno que afetam seu psicológico, prejudicando assim sua formação. Já os professores com atitudes compreensivas, pacientes, que são capazes de compreender que todos estão ali para ensinar e aprender, que ouve o aluno com atenção, que espera o que ele tem a dizer, que dá um espaço para aquele aluno intervir e até ajudar na explicação das aulas sem perder a sua verdadeira autoridade, que é a de saber colocar limites quando necessário e manter a sala em ordem, este professor, deixa uma marca positiva para sempre na vida e nos conhecimentos de seus alunos. São atitudes que mudam até mesmo histórias de vida. Um educador que dá aquela palavra de incentivo, aquela força, aquele empurrãozinho quando necessário, não tem noção do quanto pode mudar para melhor a formação educacional do seu aluno.

No entanto, é preciso ter consciência de que mesmo uma escola ou um ambiente de sala de aula com todos os fatores positivos, de pouco vale, se o ambiente familiar não contribuir. Um completa o outro e juntos constituem a verdadeira cidadania. É fundamental o acompanhamento da família como base da educação. Um aluno que tem suas horas de estudo, seu cantinho reservado na sua casa, os pais dispostos a ajudar nas dificuldades e com tempo para seus filhos, em uma casa sem brigas ou discussões, sem agressões e tantos outros fatores negativos, este será um aluno com todas as condições favoráveis para um bom rendimento na escola. Do mesmo jeito, um aluno com estas condições contrárias, consequentemente não terá condições favoráveis e isso refletirá na sua educação e conduta perante a sociedade. A família sempre é a base para tudo, e na educação nunca foi diferente. Um elo formado por ela e a escola, se torna peças chaves para a formação de verdadeiros cidadãos. As reuniões com pais e professores, nem sempre tem tanta importância assim para os familiares, que acabam achando que nada adiantará indo para essas reuniões muitas vezes chamadas de bobas. Mas a verdade é que nelas são discutido e discorrido todo o acompanhamento dos filhos, e isso tem um valor imensurável nas suas condutas dentro da escola. Sejam por meio de notas, de comportamento ou de atitudes, o aluno sempre refletirá os problemas e as dificuldades que está enfrentando. O único modo de saber e tomar providência é acompanhando o filho de perto, é preciso entender o que está se passando com ele em cada fase da sua vida. Inclusive ir à simples apresentações na escola, ver de perto com carinho os desenhos, as tarefas e trabalhos, por mais que pareçam ser insignificantes, tem um valor e um sentido que faz toda diferença na vida enquanto alunos e reflete no seu rendimento.

Uma relação social pode ser também efêmera ou durável, isto é, pode ser interrompida, ser ou não persistente e mesmo mudar radicalmente de sentido durante o seu curso, passando, por exemplo, de amistosa a hostil, de desinteressada a solidária. (WEBER, 1907, p. 170-171).

Ou seja, o objetivo principal é mudar o foco da violência dentro da escola e começar a educar para a paz, que é um dos grandes desafios de nossa sociedade, pois vivemos em uma cultura individualista. Neste contexto, valores como solidariedade, tolerância, respeito às diferenças, generosidade e humildade estão cada vez mais distantes do mundo da escola, do aluno e da família. Esses aspectos vêm se refletindo cada vez mais em agressividade no ambiente escolar, casos absurdos ocorrendo todos os dias, em que professores mentalmente cansados da falta de interesse dos alunos se exaltam em sala, provocando uma situação tensa levada ao extremo. Do mesmo modo, alunos com falta de incentivo e já com uma formação desequilibrada vinda de casa e inclusive também com a falta de boas estruturas dentro da escola, se tornam desanimados com a própria educação, causando transtornos descontados nas salas de aula, agredindo professores, colegas e com vandalismos desnecessários.

Evidentemente, a família transmite os princípios básicos de socialização, de convivência e de tolerância. Mas, na nossa sociedade, a família mudou de figura. Aquela família presente, que dialogava, não é mais assim. Isto é entregue para a escola como instituição social, principalmente porque ela tem uma dupla responsabilidade. Além de educar e de socializar, é o lugar onde os jovens vão receber os princípios de cidadania. É onde o jovem fica mais tempo durante o dia, quando está dentro da escola. Se a escola não conseguir mostrar que é protetora, se não inspirar confiança, se a criança e o jovem não sentirem que podem contar com ela, não terão outro espaço de socialização.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Em primeiro lugar é preciso criar um espaço para discutir essas questões entre educadores, alunos e família. A escola tem que abrir processos de diálogo com os alunos, com a família, com os professores e entre eles. Tem que existir um clima mais democrático para que se possa, em conjunto, pensar em resolver situações tão fortes como temos hoje em dia.

E quanto à relação professor-aluno, o professor tem que impor respeito e respeitar o que a turma tem pra ensinar também. É preciso se dar conta de que a questão da violência tem que ser trabalhada diariamente e permear todas as atividades realizadas na escola. Evidentemente o respeito pelo outro é determinante para um comportamento ético, de tolerância e de responsabilidade coletiva. Esses valores devem ser ensinados pela família, em que os limites do próprio espaço terminam no começo do espaço do outro; em que a liberdade individual e a própria felicidade se conquistam com condutas éticas e não tentando levar vantagem em tudo. Estamos em um período de muitos direitos, mas devemos lembrar que temos inúmeros deveres também, como pais, alunos, educadores e cidadãos.

REFERÊNCIAS BILBIOGRÁFICAS


MARX, Karl; DURKHEIM, Émile ; WEBER, Max. Um Toque de Clássicos. 2ª edição revista e ampliada 1ª reimpressão. Belo Horizonte: UFMG, 2003.

JORNAL MUNDO JOVEM: Relacionamento na Sala de Aula. 2006
JORNAL MUNDO JOVEM: Os tempos mudaram e a escola. 2009
WEBER, Max. Ciência como vocação. In: _____. Metodologia das ciências sociais.

Parte II. São Paulo: Cortez; Campinas: Ed.UNICAMP, 1993.

WEBER, Max. A objetividade do conhecimento nas ciências sociais [1904]. In: Weber Max: Sociologia. (Gabriel Cohn org.). São Paulo : Ática, 1982.

 
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